
Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.
Jornal Comunica Ação Espírita | 76ª edição | 11 de 2009.
Por Wilson Czerski
Quando alguém decide escrever sobre Espiritismo e consegue o espaço num jornal leigo, é fundamental mostrá-lo com equilíbrio nos seus três aspectos. Esse procedimento evita a visão distorcida do que ele seja realmente. Mas não basta só enquadrá-lo como filosofia, ciência e religião, mas tratar de temas ou conceitos relativos a esses aspectos. Com esforço, pesquisa e até subsídios de outros autores, poderá proporcionar abordagens que contemplem o Espiritismo como um todo.
Evitar o tom proselitista, a linguagem doutrinante e de religiosismo. Atualmente o leitor está mais receptivo às ideias espíritas desenvolvidas a partir de um enfoque cultural. Excessivas citações do nome de Jesus, de conceitos evangélicos em geral e a respeito das “vantagens” do Espiritismo não obtêm bons resultados.
Atenção desde a escolha do título. Constar nele o vocábulo “Espiritismo” ou correlatos, é uma questão de preferência pessoal, como de resto todo ele, mas há algumas implicações. Se para muitos despertará logo o interesse pela leitura e evidencia coragem e determinação do articulista em veicular diretamente a mensagem de que está sendo porta-voz, por outro lado, poderá afastar aqueles que, precipitadamente, a rejeitarão por preconceito e outros sentimentos negativos em relação à Doutrina.
Muitos preferem títulos com a conotação renovadora que o Espiritismo traz em seu bojo, associada ao Terceiro Milênio, o futuro, a fraternidade e outros tantos. Intencionam que o leitor sinta-se motivado a iniciar a leitura e depois, fazendo bom juízo do texto, prossiga até o fim ou, então, dar um caráter mais ecumênico à mensagem.
A abordagem deve ser equilibrada quanto à profundidade do assunto, tornando-o compreensível a qualquer indivíduo, porém atendendo ao máximo à objetividade. O público a que nos dirigimos é constituído em sua grande maioria por pessoas que pouco ou nada conhecem do Espiritismo. Contudo, não devemos subestimar sua capacidade de entendimento, pois só o fato de serem leitores de jornal, já indica o nível de informação que costumam buscar. Simplicidade e clareza aliadas à qualidade de conteúdo.
Temas da atualidade sob a ótica espírita são os preferidos: uma catástrofe natural, os avanços da medicina, descobertas astronômicas, mudanças políticas e sociais, ocorrências de repercussão local despertam muito o interesse do povo. Pode-se também desenvolver séries de artigos sobre o mesmo assunto como mediunidade, sexualidade, reencarnação, princípios básicos.
Apesar de visar público mais restrito e enfatizar informações internas na forma de notícias, nada impede que seja distribuído para pessoas de fora e outras instituições. Se isso ocorrer e for pretensão de que seja lido e não apenas descartado, é preciso que traga algo mais em seu conteúdo. Em nada interessará a um leitor de Alagoas os nomes da nova diretoria de um centro espírita do subúrbio carioca ou o resultado financeiro do bazar beneficente de outro no Paraná ou ainda a agenda de palestras mensais de determinada união municipal paulista. Há que se contar também com algum assunto de interesse geral, um artigo, comentário sobre um livro, uma pequena exposição doutrinária, etc.
Todo jornal espírita deveria possuir um público-alvo e direcionar sua linha editorial para ele. Simpatizantes, iniciantes, pouco ou mais instruídos, conhecedores mais profundos da Doutrina. Mas com essa postura ele corre sério risco de, afora outros motivos, fechar as portas por ficar sem público algum. Muitos jornais nossos sobrevivem unicamente às expensas das assinaturas e do idealismo - leia-se bolso - de seu proprietário, pois sequer optaram, geralmente por infundados escrúpulos, de abrir espaço para anunciantes. Como os leitores já não são muitos e os assinantes menos ainda, a especialização equivalerá com toda probabilidade ao naufrágio empresarial, aliás, termo brilhante demais à característica amadorística com que nossos jornais são tratados.
Por consequência, temos que procurar agradar a todos os gostos, ainda que parcialmente. Isto é, equilibrar notícias, artigos, entrevistas, matérias opinativas com análise, entretenimento, tudo em dose certa e principalmente com a máxima qualidade. Nos extremos de apenas um boletim interno e um periódico com distribuição em bancas de revistas, esta segmentação é bem mais fácil.
O ponto final de um texto jornalístico não está, contudo, no papel, mas nos olhos do leitor. Cabe considerar a atitude do dirigente que se omite, não divulga os periódicos espíritas que recebe gratuitamente, não promove campanhas de assinaturas nem incentiva a criação de salas de leitura.
E a má vontade em disponibilizar esse tipo de publicação aos frequentadores decorre não só pela indiferença, mas de ação consciente de sonegar informações a respeito do que se passa. É o exercício de uma temível e retrógada censura pela crença de que a tomada de conhecimento de fatos e opiniões diversas daquelas que circulam no âmbito interno, acabem por desestabilizar o mando do dirigente.
Resulta dessa ação maléfica o bitolamento e a indução à preguiça de os indivíduos pensarem por si mesmos. Provoca o desinteresse, o alienamento em relação ao movimento, criando uma visão distorcida, incompleta do Espiritismo e de sua função social. Tal dirigente fere duplamente um dos princípios fundamentais da Doutrina que é o da liberdade de pensamento: do leitor, privado da informação e do direito de raciocinar e obter suas próprias conclusões; e do autor que, embora expressando seu pensamento, vê-se impedido de alcançar o primeiro, não completando, portanto, o processo da comunicação.
Atualmente o jornal é veículo de comunicação não só informativo de fatos, mas analítico deles e, segundo pesquisas, possui mais credibilidade do que a própria televisão, talvez por não ser tão oligopolizado. Por outro lado, adapta dela as manchetes chamativas, o uso da força de imagens coloridas, recursos eletrônicos e a diagramação mais leve, tudo objetivando satisfazer o nível de exigência dos leitores que cresceu muito ultimamente.
Isso se deve ao próprio nível de informação geral, à globalização da mídia impressa e televisiva, da internet, da concorrência comercial e mudança de mentalidade da população, armada de maiores expectativas, capacidade de discernimento e exercício de cidadania até para reivindicar melhores produtos e serviços. O movimento espírita, se almejar efetivamente contribuir para a renovação da paisagem social do planeta, não pode ficar indiferente a essas mudanças. Precisa modernizar-se, aplicar os recursos técnicos disponíveis, reciclar conceitos de divulgação para bem atender às necessidades manifestadas ou não das pessoas. Acompanha ou atola-se no marasmo. Não é isso o que todos desejam para o Espiritismo, muito menos o que sonhava Allan Kardec quando o codificou sob orientação do plano espiritual.
O movimento espírita brasileiro reclama e a sociedade geral aguarda por uma imprensa escrita dinâmica, capaz de transmitir a mensagem da imortalidade e todas as suas correlações com competência, numa linguagem atual e cativante, provocando reflexão sobre a realidade espiritual do homem e a conveniência de alteração na sua postura, principalmente ética, diante da vida. Aos cultivadores do Bem, o lembrete de que, além de separar o joio, e da boa vontade para executar a tarefa, recomenda-se selecionar as sementes de trigo de melhor qualidade a fim de que, lançadas pela fraternidade no terreno fértil dos corações, centupliquem nesta transição evolutiva e saciem a fome espiritual da humanidade.
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