ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 77ª edição | 01 de 2010.

Autorretrato

A primeira edição com oito páginas homenageou Kardec, Bezerra de Menezes e Chico Xavier; tratou do fenômeno da levitação e trouxe uma interessante entrevista com o filósofo Ney Lobo, além de um questionamento sobre os trabalhadores espíritas.

No bimestre março/abril do ano 2000, este periódico, então denominado “ADE-PR Informativo, com sua edição nº 18, completava três anos de circulação no meio espírita. Como forma de assinalar um marco histórico de sua existência, pela primeira vez o mesmo foi apresentado com oito páginas, o dobro do que trazia até então. E este fato foi destaque logo na página de capa, relembrando seu objetivo de “...desde o início não se limitou somente a informar os atos e fatos internos, buscando sempre acrescentar notícias do movimento espírita em geral e ainda artigos opinativos e matérias outras de interesse geral.”

Afirmava também o texto que para os menos atentos isso talvez pouco significasse, entretanto para a equipe da ADE-PR era um grande passo e expressava gratidão aos anunciantes – no número máximo de 21 à época – que ajudavam a cobrir as despesas de sua publicação. Por fim, havia a promessa de maior qualificação do trabalho, incluindo a criação de novas seções fixas, espaço para entrevistas, etc.

Nas chamadas da edição, o curso de jornalismo que passaria a ser desdobrado em 50 artigos, estreando, portanto a seção existente ainda hoje e próxima do final que é a “Subsídios para melhoria da imprensa espírita”, a cargo do Associado-fundador e diretor presente em todas as gestões da ADE-PR, Y. Shimizu.

O “Cantinho Científico”, “O Comodismo dos espíritas”, um alerta sobre o fumo, uma homenagem a Kardec, Chico Xavier e Bezerra de Menezes e a entrevista com o filósofo Ney Lobo constituíam as matérias principais, resumidas naquela primeira página.

Na segunda, o Editorial destacou três dos principais vultos do Espiritismo aos quais alguma data do bimestre em curso estava associada. Em 31 de março, a desencarnação do sábio Hippolyte Léon Denizard de Rivail, mais tarde Allan Kardec, o sistematizador da Doutrina Espírita, isso em 1869. Dois dias depois o aniversário de 90 anos do maior médium brasileiro, Francisco Cândido Xavier e em 11 do mesmo mês de abril o centenário de desencarnação do Médico dos Pobres ou Bezerra de Menezes. Permeando os três personagens, um livro especial, O Livro dos Espíritos publicado também em abril, no ano de 1857.

A certa altura dizia o editorialista: <em>“Para a sociedade hodierna, assaltada pela dúvida, , torturada pelo sofrimento que parece bater a todas as portas, bombardeada pelas tentações dos prazeres efêmeros e confundida pelo fanatismo, servem estes três homens de faróis a conduzir com segurança os navegadores por entre tempestades e arrecifes, fazendo-os chegar ao poro seguro da justiça e da bondade de Deus. Exemplificadores superlativos de virtudes genuínas como honestidade, humildade, perdão, renúncia, perseverança, fé, racionalidade e entre outras mais a bandeira maior caridade, fora da qual, a salvação, entendida como crescimento interior e aproximação com o Criador, fica comprometida.”</em>

Já o “Cantinho Científico” tratou do fenômeno da levitação. Citou os médiuns Eusápia Paladino, Eva Carrière, Stanislava Tomeczkc, um dos irmãos Davenport e Florence Cook como protagonizadores destes efeitos singulares, flutuando eles próprios ou objetos no ar, às vezes a três metros do chão. Freitas Nobre citava que o padre Anchieta também possuía esta faculdade e Henry Slade mantinha-se não só ele suspenso no ar, mas vários dos assistentes, com cadeiras e tudo. Registros testemunhais até fotográficos de Mirabelli e Peixotinho no Brasil, sem falar de Teresa de Ávila e obviamente Jesus. Já a sensitiva Nina Kulagina era capaz de suspender objetos com peso de até 40 gramas.

O artigo também esboçou explicações científicas para o fenômeno citando a teoria de Alberto De Rochas contida no livro “A levitação”, em que afirma possuir a Terra um campo magnético positivo em oposição ao do homem que é negativo. Se o sinal deste último for invertido, haveria a repulsão e consequente flutuação. Assim, pela ação das forças ódicas haveria a anulação da gravidade. Douglas Hume levitara mais de 100 vezes, informava o texto e as observações indicavam que o peso do levitado era transferido para as outras pessoas presentes.

Nas páginas centrais, Ney Lobo respondeu dez questões propostas pelo editor. Ao ser perguntado sobre seu desencanto com o movimento espírita, ele corrigiu o termo para ‘insatisfeito’ e acrescentou: “Se os espíritas estiverem satisfeitos com o ‘movimento’, então não há mais movimento e sim estacionamento estéril”. E completou: “Não vai mal (o movimento). Está mal. Não vai bem, porque poderia ir muito melhor”. E apontou algumas causas: a cristalização nos centros, no mediunismo, em algumas federativas burocráticas e assistencialismo social e falta de educação espírita.

Ao falar de suas lides literárias espíritas e sua visão crítica sobre a produção na área, definiu-a como de ‘Muita retórica vazada em estilo sentimental e piegas, embora com acentuados progressos’. Na questão final em que era instigado a traçar um rápido perfil pessoal, confessou ter como lazer ouvir música clássica e sentir-se útil um motivo de alegria; entendia que a divulgação espírita estava muito concentrada no culto de personalidades; não elegeu nenhum vulto espírita encarnado e citou três desencarnados: Eurípides Barsanulfo, Lins de Vasconcellos e Herculano Pires e via a Terra habitada em sua maioria não por espíritos atrasados e predominantemente em experiências expiatórias, mas formada de espíritos neutros (nem muito bons nem muito maus).

O artigo “Os malefícios do fumo”, de autoria do médico Walter Baruffi, constou na página 06 e na 07 na seção “Notícias ADE”: almoço confraternativo da ADE-PR para junho; eleições da ADE-PE; um apelo à colaboração dos espíritas ao trabalho da ADE-PR e o Encontro Interregional da Federação Espírita do Paraná realizado em fevereiro.

O texto que fechou a edição nº 18 veio assinada por Wilson Czerski sob título “Trabalhadores Espíritas: quem são, onde estão?”. Percorrendo algumas questões de O Livro dos Espíritos como a 675, 676, 679 e 683 que tratam do trabalho material, mencionou o progresso que é consequente daquele,embora já com conotações espirituais e deteve-se na 917 onde os Espíritos afirmam que “... o Espiritismo, bem compreendido... transformará os hábitos, os usos e as relações sociais”.

Após mais alguns parágrafos comentando sobre a necessidade de maior participação dos espíritas nos movimentos sociais, lembrou da exortação do livro “Conduta Espírita”, como no capítulo Perante a própria Doutrina: “Não restringir a prática doutrinária exclusivamente ao lar, buscando contribuir de igual modo, na seara espírita de expressão social”.

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