
Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.
Jornal Comunica Ação Espírita | 77ª edição | 01 de 2010.
Por Wilson Czerski
No orçamento doméstico ou na administração das empresas, um conceito básico é o do equilíbrio entre receita e despesa. Um negócio só se torna minimamente viável quando a soma dos numerários que entram iguala a somatória de saídas. Se as receitas superam as despesas, surge a poupança ou o lucro que pode ser canalizado para a aquisição de bens ou serviços para proporcionar mais conforto ao lar ou servir de capital a ser reinvestido para aumentar o tamanho do negócio, no caso das empresas. Se, pelo contrário, as despesas forem maiores e não se puder contar com novos créditos na forma de empréstimos ou financiamentos, a falência estará a caminho para as últimas e o não atendimento das necessidades, mesmo as mais básicas, ocorrerá nos grupos familiares.
Outro conceito muito em voga atualmente, este em âmbito planetário com preocupações ecológicas, é o de desenvolvimento sustentável. É consenso de que não se pode mais explorar indefinidamente os recursos naturais da Terra, a começar pelo seu bem mais precioso que é a água. Nem se comprometer irresponsavelmente a qualidade do ar e do meio ambiente em geral.
Em uma vida globalizada onde praticamente qualquer ação humana, até nas regiões mais remotas do planeta como o Ártico ou as longínquas ilhas do Pacífico, repercute de algum modo sobre todos os demais seres vivos, impossível fechar os olhos para tais realidades. E a Terra está chegando à exaustão, mas o homem parece pouco disposto a mudar o estilo de vida, cada vez mais insaciável, consumista e ambicioso.
A prova disso foi a falta de acordo em dezembro último na Conferência de Copenhague sobre Mudanças Climáticas. Uns não querem abrir mão da hegemonia econômica que já detêm. É o caso dos países desenvolvidos que veem na limitação de emissão de gases na atmosfera um entrave à sua produção. Mas outros, como os emergentes, também se sentem no direito de reivindicar mais espaço no cenário mundial e diminuir a distância que os separa daqueles que apresentam níveis invejáveis de bem-estar material. E o que dizer dos terceiromundistas sonhando com a fuga da miséria que lhes permitiria desfrutar de condições mínimas de vida digna para seus povos?
Nossa equação de receitas e despesas está em desequilíbrio. O que produzimos hoje só é suficiente para atender satisfatoriamente as necessidades de 5,1 bilhões de pessoas e, no entanto, já somos 6,8 bilhões. Por isso, um bilhão de indivíduos passa fome e vastas regiões carecem de melhores condições de saúde, higiene, educação, etc.
Muita gente acha que a solução pode estar no controle da natalidade. A China já faz isso de modo arbitrário há bom tempo, proibindo os casais de terem mais do que um filho. Em certos países a taxa de reposição da população já está com déficit, mas na maior parte dos continentes africano e asiático o número de filhos por casal é muito alto. A cada dia a diferença entre nascimentos e mortes é de 213.000 pessoas. Como sustentá-las e como pensar em 2050 quando saltaremos para 9,2 bilhões de pessoas?
Não se nega o direito e mesmo dever da sociedade incluir em suas prioridades a oferta de recursos que possibilitem aos indivíduos estabelecer a quantidade de filhos que desejam e se julgam capazes de criar. Isto contribuiria, certamente, para uma diminuição do desequilíbrio. Mas a raiz do problema não esta e sim o excesso de consumo.
Um americano joga no lixo 27% dos alimentos. Com isso 80 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas. Se na Somália dois milhões passam fome, 66% dos americanos estão acima do peso.
Em artigo recente no jornal Correio do Brasil, o Frei Beto definiu a situação com a frase “Consumo, logo existo”. E é assim mesmo. Consumo desenfreado e desnecessário. Queremos sempre mais, tudo que é novidade mesmo que o objeto que possuímos ainda funcione perfeitamente. É assim com o computador, com o celular, com as sucessivas gerações de MP (som). Se possuímos um automóvel para a família, logo achamos que precisamos de dois. Ou três. E cada vez mais sofisticados, com mais tecnologia, materiais, custos e, principalmente, emitindo muito mais gás carbônico na atmosfera. O mesmo com os televisores, um em cada peça da casa, tela LCD, sinal digital... Roupas e calçados abusamos, ostentamos e pouco usamos. Logo descartamos.
Há alguns anos atrás – pouco deve ter mudado – um americano jogava no lixo 27% dos alimentos que adquiria. Com 25% disso 20 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas. Se na Somália dois milhões passavam fome, 66% dos americanos estavam acima do peso.
A indústria da reciclagem ainda é relativamente pouco eficiente e utensílios que antigamente eram mandados para o concerto, hoje vão diretamente para o lixo porque não compensa o custo do reparo se comparado a um novo que acaba por substituí-lo. Acha que tem pouca importância? Pois saiba que para produzir um quilo de aço gasta-se 280 litros de água. Para um microchip são 32 litros, um quilo de papel gasta 325 e uma camiseta 2700 litros, o mesmo que para se obter um litro de álcool.
Neste sentido, muito podemos fazer individualmente, a começar pelo próprio exemplo de evitar a todo custo o desperdício de água, energia elétrica, alimentos, roupas e calçados e tudo o mais. Utilize o verso do papel, produza menos e separe o lixo. Com isso estamos passando valiosa lição automática aos nossos filhos, tornando-os também cidadãos conscientes e responsáveis. Nós espíritas temos que enfatizar esses cuidados em nossas palestras e para os assistidos em geral. Temos que levar essas ideias às escolas, mostrando com o viés espiritual, não necessariamente espírita, a questão.
Quem vai herdar o planeta senão nós mesmos que aqui retornaremos pelas portas da reencarnação? Como iremos encontrá-lo se não zelarmos pela sua limpeza, salubridade e performance de manutenção da vida?
Quem tiver dúvida, dê uma olhadinha, principalmente, nas questões 704 a 707 de O Livro dos Espíritos, que tratam da Lei de Conservação. Deus impõe a necessidade de viver, mas fornece os meios e estes não faltarão aos homens desde que eles contentem-se com o necessário e deixem de lado o supérfluo, é o que aprendemos. A escassez de uns, afirmam, deve-se ao egoísmo de outros. E Kardec também comenta: “Há para todos lugar ao Sol, mas com a condição de aí tomar o seu, e não o dos outros. A Natureza não poderia ser responsável pelos vícios da organização social e pelas consequências da ambição e do amor-próprio”.
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