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Jornal Comunica Ação Espírita | 126ª edição | 03 de 2018.

Traços Biográficos

  • O Médium levitando até tocar o teto, na presença de várias testemunhas O Médium levitando até tocar o teto, na presença de várias testemunhas

Daniel Douglas Home foi um dos maiores médiuns de todos os tempos. Seu nome é citado por dezenas de autores de obras que tratam de fenômenos psíquicos. Allan Kardec, na Revue Spirit, em várias ocasiões, e Arthur Conan Doyle, que vimos na edição passada e seu “História do Espiritualismo” foram alguns deles.

De uma família nobre, nasceu na Escócia em 20 de março de 1833 e desencarnou em Paris, em 21 de junho de 1886, vitimado pela tuberculose que o acompanhara durante muitos anos de sua existência. Aos seis meses seu berço balançava e mudava de lugar; os brinquedos vinham-lhe ao encontro. Mas sua primeira manifestação mediúnica ocorreu quando tinha 13 anos. Então, e desde os nove, já morava nos Estados Unidos, com uma tia.

Começou no Congregacionismo, depois foi católico e após o segundo casamento, ambos com mulheres russas, adotou a Igreja Ortodoxa. Após a conversão católica pretendeu não mais se comunicar com espíritos, mas após um ano eles voltaram.

Produzia fenômenos de voz direta, clarividência, psicofonia e diversos de efeitos físicos. Com William Crookes, usou uma “régua alfabética” – dizia-se as letras e a régua batia após a certa. Também com ele houve comunicações de espíritos utilizando-se o código Morse. 

Um dos mais extraordinários fenômenos envolvendo Home foram as levitações. Teriam sido mais de 100 vezes, incluindo duas ocasiões em que foi visto saindo por uma janela e entrando por outra. A primeira foi em 1860 e a segunda em 1868, ainda mais espetacular, a cerca de 24 metros de altura sobre a rua, tendo repetido para mostrar como o fizera, diante de inúmeras testemunhas. 

Este célebre episódio ocorreu em 16/12/1868 na mansão do Visconde Adore, Sr. Lindsay, em Londres, na presença também do capitão Winne. Daniel D. Home também levitou quatro vezes diante de William Crookes. Numa delas, a esposa deste também se elevou. Em outras vezes levitou até o teto e marcou com uma cruz para provar que não era ilusão dos assistentes.

E até o imperador Napoleão III teve o privilégio de ver o feito do médium. Numa sessão privativa predisse à Imperatriz Eugênia a catástrofe da guerra franco-prussiana, a queda do esposo e a morte do príncipe imperial. Também a rainha Sofia da Holanda assistiu suas apresentações.

Os fenômenos de que era protagonista, como dissemos, não se resumiam às levitações. Certa vez aconteceu a aparição de três mãos que apertavam as dos presentes e se dissolviam. Em outra, uma mão também escrevia, às vezes, em cima da mesa, outras embaixo. Tudo, como nas levitações, à plena luz do dia.

Daniel Douglas Home sofria de depressão e crises nervosas e mesmo pobre e sem profissão, recusou em 1855 duas mil libras por uma sessão em Paris. “Sou um missionário da imortalidade”, afirmou. Ele não produzia fenômenos sempre que queria e na presença de certas pessoas, nunca realizou fenômenos que dependiam, às vezes, da posição dele ou dos demais. Tinha como seu espírito protetor a própria mãe.

Home era homem de muitas virtudes. Era muito caridoso, mas também algo vaidoso e emotivo. Andou pelos campos de batalha ajudando feridos. Não confiava na mediunidade dos outros e com performances diferentes da sua; só teve amizade com Katie Fox.

Ao longo das quatro décadas dedicadas à mediunidade, enfrentou altos e baixos em sua reputação. Se, por um lado, pôde contar com a admiração de Napoleão III que cuidou de sua irmã, e teve o imperador russo Alexander como testemunha de seu casamento e era também respeitado por Guilherme, da Alemanha, por outro chegou a ser acusado (condenado) de ter dado um golpe numa viúva de 75 anos.

Embora nunca antes tivesse cobrado pelas apresentações, foi acusado de ter transmitido a ela uma mensagem do marido falecido para adotá-lo como filho e dar-lhe uma pensão anual. Ela fê-lo seu herdeiro e teria lhe passado todo ou parte de seu dinheiro – 60 mil libras -, mas depois se arrependeu e exigiu de volta, o que, afinal, acabou acontecendo.

A verdade dos fatos está muito bem relatada por Conan Doyle, às páginas 184-6 de seu “História do Espiritismo”. A Sra. Lyon havia oferecido – e insistido muito - aquelas vantagens financeiras a Home com a segunda intenção de ser apresentada na alta sociedade londrina à custa da fama do médium. Como isso não ocorreu, decidiu pedir a restituição do valor usando como justificativa uma acusação difamatória. Segundo Doyle, apesar de traumático na vida de Home, o episódio sequer arranhou o respeito e admiração que ele havia angariado por toda parte.

Também, certa vez, correu um boato de que ele em vez de estar fazendo turismo na Itália, estava preso em Mazas. Kardec, na Revue  de março de 1863, desmente que ele tivesse passado por esta situação ou sido expulso de Paris. 

E na edição de setembro do mesmo ano, analisando a mediunidade de Home, fez recordar que ela era mais uma prova de que os fenômenos materiais estão longe de levar ao convencimento. Mesmo nele, pela quantidade e qualidade, muitos que viam ainda teimavam em acreditar que tudo não passava de prestidigitação, enquanto que quem não havia visto, mas estudara antes, acreditava incondicionalmente como possíveis.

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